quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

Monotrilho irá substituir o trolebus?

43ea6fe136Essa é a pergunta que não quer calar. Ainda em fase de discussão, já que não tem tu vai tu mesmo, ou seja: cadê o metrô? Metrô não tem para o ABCD, então vamos de monotrilho.

Os trolebus transportam cerca de 60 milhões de pessoas por mês, mas qual será o reflexo do monotrilho nesse número? Eu não sou contra o progresso, sou apenas contra mexer em time que (ainda) está ganhando.

O transporte é um problema grave em cidades grandes, nas cidades como São Bernardo e Diadema o problema pode tornar-se ainda mais sério se pensarmos que muitos moradores da cidade trabalham em São Paulo.

Você já tentou ir para um bairro distante da capital? Mesmo com toda a propaganda na TV, separe uma hora e meia e paciência sem fim se for enfrentar essa cruzada. Isso se tudo correr bem, se correr mal, então, sem previsões.

Quando começaram a “espichar” o metrô tínhamos uma esperança (vã) de que ele um dia fosse chegar por aqui. Em vez de investir em uma única condução, criaram os trolebus, o bilhete único, a integração e outras coisas pra tapar o sol com a peneira, e a nossa peneira é simples: continuamos tomando várias conduções para chegar onde queremos.

Botando mais uma linha na região, estarão eles simplificando nossa vida? – é o que me pergunto. Não sei você, mas eu acho chato pra caramba quando tenho que ir a algum lugar e começo a andar como se estivesse num labirinto: toma trolebus, desce, pega linha azul, desce, pega linha vermelha, roxa, lilás, sei lá, pega trem, pega outro ônibus. A gente tem que levar por escrito para não confundir a condução. Eu, por exemplo, nunca sei se devo ir em direção ao Corinthians ou ao Palmeiras. Minha inclinação é sempre ir para o Corinthians, mas vai saber?

Quem já tomou ônibus, trolebus, metrô, nave espacial, asa delta, trem ou qualquer coisa errada aí por culpa dessa teia de aranha que criaram e insistem em chamar de “transporte coletivo”, levante a mão!

Zailda Coirano

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sábado, 17 de dezembro de 2011

Pagamento nos terminais

Uma das facilidades que encontrei em Diadema quando para cá voltei em 2006 foram os terminais de trolebus, onde podemos fazer a conexão do metrô para os bairros de Diadema ou cidades vizinhas sem a cobrança de passagem.

Se analisarmos uma cidade do tamanho de São Paulo, hoje conseguimos nos locomover por uma grande parte da capital estadual utilizando o metrô, onde fazemos a mudança de linha sem cobrança alguma. Mesmo se tivermos que fazer a conexão com linhas de ônibus, utilizando o bilhete único teremos o gasto com transporte público bastante reduzido.

A julgar pelo que vejo apregoado pela prefeitura de São Paulo e outras cidades brasileiras, a preocupação das autoridades é de encontrar meios para reduzir o tempo e o dinheiro gastos pelo trabalhador para se locomover, seja para seu local de trabalho, seja para desfrutar do lazer e descanso bem merecidos em suas – poucas – horas de folga.

Caminhando na contra-mão de todos os sinais de “progresso e evolução” assinalados por cidades maiores e menores, Diadema parece querer retroceder ao implantar o pagamento de 1 real dentro dos terminais – serviço até agora gratuito.

Enquanto outros governos estruturam campanhas baseadas na promessa da gratuidade ou na redução das tarifas com transporte público, Diadema quer agora retirar do trabalhador o que já foi conquistado, cobrando por um serviço que tem sido oferecido ao trabalhador.

Entendo que as despesas devem pelo menos equiparar-se aos ganhos em qualquer administração, mas questiono o compromisso para com os contribuintes e eleitores de um governo que prefere retirar do bolso do trabalhador o equilíbrio de sua balança financeira.

Todos sabemos que a cidade de Diadema não é pobre, que recursos há, e que poderiam perfeitamente ser melhor estruturados para subsidiar o transporte coletivo. A cada campanha eleitoral nos fazem promessas de melhorar o único meio de locomoção do trabalhador que não tem transporte próprio (e se o prometem é porque sabem o quanto é necessário), portanto fazem uso dessa necessidade para se elegerem. Quando chega o momento de honrar suas promessas eleitoreiras arrecadadoras de votos e melhorar esse transporte, querem botar a mão no bolso do trabalhador para aumentar a fatia de ganhos de empresas que sobrevivem à custa da dificuldade de locomoção de quem não tem carro, ou não consegue manter os elevados custos de viagens diárias de um canto a outro para trabalhar.

Já não chega o descaso com que tratam o trabalhador, que nos finais de semana tem que esperar horas por uma condução, já que retiram praticamente todos os ônibus aos sábados e domingos? Se já nos tiram o direito ao lazer – parecem nos dizer que trabalhador só tem que sair de casa para trabalhar, se quiser divertir-se tem que ir à pé ou entalado em condução lotada - querem também agora nos fazer arcar com a despesa que já assumiram há anos?

Sob o meu ponto de vista, tudo o que se tira do trabalhador – e leia-se também eleitor – tem que ser muito bem fundamentado e só acontecer em último caso, pois se é o “povo” que movimenta a economia do país, em última análise é esse mesmo povo que elege os governantes, mas que também pode retirá-los se essa for sua escolha.

Zailda Coirano

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terça-feira, 26 de julho de 2011

Violência contra a mulher

lei_maria_da_penhaSegundo dados do jornal Sete Cidades, 8 mulheres por dia são vítimas de violência no ABC. Também segundo os dados divulgados pelo jornal, são 1.032 casos de lesão corporal e 102 de estupro registrados nas Delegacias da Mulher da região, de janeiro a maio desse ano.

Eu acredito que o número seja bem maior, pois nem todas as vítimas de violência comparecem à delegacia para registrar a ocorrência, por diversos motivos.

Medo

Muitas têm medo do agressor e creem que se registrarem ocorrência poderão sofrer as consequências na forma de agressões ainda mais brutais. Mulheres que sofrem agressão do companheiro ou pai são emocional e / ou financeiramente dependentes de seu agressor, normalmente vivem na mesma casa e imaginam que cedo ou tarde eles se vingarão por terem ido à delegacia.

Vergonha

A mulher agredida tem vergonha de admitir sua condição e pesquisas mostram que quanto maior o poder aquisitivo / instrução da mulher, maior será a vergonha dela em admitir que está sofrendo abuso.

No caso do estupro esse problema ainda é maior, pois nossa sociedade machista ainda vê a “culpa” pela agressão na mulher. Se uma mulher é violentada ao sair de um bar, por exemplo, muitos perguntarão o que ela estava fazendo naquele local, como se o fato de frequentar esse ou aquele ambiente desse aos homens a “licença” para forçar o sexo contra a vontade dela.

De vítima a cúmplice

A mulher que se queixa de estupro também é questionada quanto às roupas que vestia no momento (novamente como se a forma de vestir desse ao homem alguma “licença” especial que desconhecemos). Sua moral também é questionada e se não for virgem e de moral (sexual) totalmente ilibada, será tratada mais como cúmplice do que como vítima.

Lei Maria da Penha

A lei Maria da Penha completará 5 anos em agosto e já caminhamos um bom pedaço para uma sociedade mais justa, onde não prevaleça a “lei do mais forte”. Mas ainda há um longo caminho a percorrer, as mudanças têm que começar pela sociedade e então veremos mudanças significativas a longo prazo.

Enquanto a mulher continuar sendo refém de seu parceiro, dependendo dele financeiramente para sua sobrevivência e sustento, muitas continuarão de mãos atadas, pois livrando-se do agressor perdem também os meios para subsistência, e apesar de parecer “apenas um detalhe” para alguns, eu compreendo perfeitamente que uma mulher sem uma profissão e com filhos pensará duas vezes antes de registrar um boletim, que além de privá-la do único meio de sustento para si e seus filhos, também a exporá ao julgamento da sociedade (ainda) machista na qual vivemos.

De vítima a ré

Publiquei em outro blog sobre um caso de estupro ocorrido há algum tempo, a vítima era uma garota de 15 anos e além de estuprá-la seus agressores ainda publicaram um vídeo na internet, como se o ato que praticaram fosse digno de orgulho.

Pois nessa postagem recebi alguns comentários que diziam: “bem feito, ela saía com qualquer um, mentiu para a mãe para ir à balada, bebeu todas, etc.” como se seu comportamento estivesse sendo julgado e não o de seus agressores.

Estupro ou qualquer outra forma de agressão é crime, mentir para a mãe pode não ser uma boa prática, mas que eu saiba não é crime nem justifica o que aconteceu com ela.

Aumento da violência?

Os dados mostram um “aumento” nos casos de violência, mas a meu ver a violência não aumentou, o que acontece é que a mentalidade das mulheres está mudando. Muitas que se calaram durante anos agora sentem-se mais seguras e amparadas para denunciarem seus agressores. Mas muitas ainda permanecem sofrendo em silêncio, e apenas o tempo e a evolução dessa “sociedade mais justa”, onde a mulher seja reconhecida como “vítima” e não como “cúmplice” da agressão que sofreu é que elas ganharão voz e força para lutar contra seus algozes.

Leia também:

A violência ameaça as mulheres em Diadema

Tá de calça nóis abaixa…

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