Uma das facilidades que encontrei em Diadema quando para cá voltei em 2006 foram os terminais de trolebus, onde podemos fazer a conexão do metrô para os bairros de Diadema ou cidades vizinhas sem a cobrança de passagem.
Se analisarmos uma cidade do tamanho de São Paulo, hoje conseguimos nos locomover por uma grande parte da capital estadual utilizando o metrô, onde fazemos a mudança de linha sem cobrança alguma. Mesmo se tivermos que fazer a conexão com linhas de ônibus, utilizando o bilhete único teremos o gasto com transporte público bastante reduzido.
A julgar pelo que vejo apregoado pela prefeitura de São Paulo e outras cidades brasileiras, a preocupação das autoridades é de encontrar meios para reduzir o tempo e o dinheiro gastos pelo trabalhador para se locomover, seja para seu local de trabalho, seja para desfrutar do lazer e descanso bem merecidos em suas – poucas – horas de folga.
Caminhando na contra-mão de todos os sinais de “progresso e evolução” assinalados por cidades maiores e menores, Diadema parece querer retroceder ao implantar o pagamento de 1 real dentro dos terminais – serviço até agora gratuito.
Enquanto outros governos estruturam campanhas baseadas na promessa da gratuidade ou na redução das tarifas com transporte público, Diadema quer agora retirar do trabalhador o que já foi conquistado, cobrando por um serviço que tem sido oferecido ao trabalhador.
Entendo que as despesas devem pelo menos equiparar-se aos ganhos em qualquer administração, mas questiono o compromisso para com os contribuintes e eleitores de um governo que prefere retirar do bolso do trabalhador o equilíbrio de sua balança financeira.
Todos sabemos que a cidade de Diadema não é pobre, que recursos há, e que poderiam perfeitamente ser melhor estruturados para subsidiar o transporte coletivo. A cada campanha eleitoral nos fazem promessas de melhorar o único meio de locomoção do trabalhador que não tem transporte próprio (e se o prometem é porque sabem o quanto é necessário), portanto fazem uso dessa necessidade para se elegerem. Quando chega o momento de honrar suas promessas eleitoreiras arrecadadoras de votos e melhorar esse transporte, querem botar a mão no bolso do trabalhador para aumentar a fatia de ganhos de empresas que sobrevivem à custa da dificuldade de locomoção de quem não tem carro, ou não consegue manter os elevados custos de viagens diárias de um canto a outro para trabalhar.
Já não chega o descaso com que tratam o trabalhador, que nos finais de semana tem que esperar horas por uma condução, já que retiram praticamente todos os ônibus aos sábados e domingos? Se já nos tiram o direito ao lazer – parecem nos dizer que trabalhador só tem que sair de casa para trabalhar, se quiser divertir-se tem que ir à pé ou entalado em condução lotada - querem também agora nos fazer arcar com a despesa que já assumiram há anos?
Sob o meu ponto de vista, tudo o que se tira do trabalhador – e leia-se também eleitor – tem que ser muito bem fundamentado e só acontecer em último caso, pois se é o “povo” que movimenta a economia do país, em última análise é esse mesmo povo que elege os governantes, mas que também pode retirá-los se essa for sua escolha.
Zailda Coirano
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